Arquivo mensal: fevereiro 2019

O Coração Evangélico e Pastoral de S. Francisco de Sales

Hoje, nós celebramos a festa de São Francisco de Sales (1567-1622), um dos mais santos mais importantes na história da Igreja que prestou um grandioso papel em fazer retornar dezenas de milhares de calvinistas à Igreja Católica. Frequentemente, você vai encontrar um santo que se desenvolveu na teologia, na mística, na apologética, ou em autoria devocional. Francisco era tudo isso, e ainda era um evangelista sucedido, e então o bispo de uma diocese perseguida.

Francisco de Sales como um Homem para Todas as Eras

A sua Introdução à Vida Devotaera focada na necessidade dos leigos de serem santos. Deste modo, como observou o Papa Paulo VI, ele anticipou a ênfase do Concílio Vaticano II…cerca de quatrocenos anos à frente de seu tempo:

“Nenhum dos doutores recentes da Igreja antecipou mais as deliberações e decisões do Concílio Vaticano II com uma percepção aguçada e progressiva como São Francisco de Sales. Ele presta sua contribuição pelo exemplo de sua vida, pela riqueza de sua doutrina sólida e verdadeira, pelo fato de que ele abriu e reforçou os caminhos espirituais da perfeição cristã para todos os estados e condições na vida. Nós propomos que estas três coisas sejam imitadas, abraçadas e seguidas.”

Mas os seus escritos não eram apenas devocionais. Ele também era um apologista brilhante. Ele era um padre, e depois bispo, de Genebra, quando a cidade (e muito da área ao redor) estava sobre rígido controle calvinista. As pessoas foram banidas de ir a uma Missa ou até mesmo de ouvir um católico pregar. Francisco contornou isso escrevendo folhetos apologéticos comparando o catolicismo e o calvinismo, e os postando aonde ele podia, até mesmo colocando debaixo da porta da casa das pessoas da cidade. Eles folhetos, depois reunidos no livro A Controvérsia Católica, foram massivamente influentes. A superior de Annecy, a madre de Chaugy, disse em 1661: “é considerrado que esse Tratado é calculado para produzir tantos frutos para a conversão entre os heréticos quanto a Introdução à Vida Devotaentre os católicos para a devoção.”

Somando aos seus escritos devocionais e apologéticos, ele também era um teólogo brilhante que ajudou a orquestrar algo como um cessar-fogo nos debates entre os dominicanos e os jesuítas sobre graça e predestinação. Ele também escreveu o místico Tratado sobre o Amor de Deus, do qual o papa Bento XVI disse : “em uma temporada intensamente florada de misticismo o Tratado sobre o Amor de Deusfoi uma verdadeira e apropriada summa e ao mesmo tempo um trabalho literário fascinante.

A Caridade Inflamada do Coração Sacerdotal de Francisco

Por trás de toda a sua contribuição devocional, apologética, teológica e mística, havia um verdadeiro evangelista e um pastor de almas, e é esse aspecto de S.Francisco de Sales que eu quero enfatizar. Desde o início, ele desistiu de quase tudo para ser padre. Ele veio de uma família francesa católica e devota, proeminente e com boas ligações. O seu pai, François de Sales, Lorde de Boisy, Sales, e Novel, era um magistrado. Ele queria que Francisco, o mais velho de seus treze filhos, seguisse seus passos. Ele mandou seu filho para algumas das escolas mais finas da Europa. Quando tinha 25 anos, Francisco tinha se graduado da Faculdade de Clermont (onde ele estudou filosofia e humanidades) e tinha recebido um doutorado em Direito e Teologia da Universidade de Pádua.

Francisco foi rapidamente admitido como advogado, apesar de ainda ter esperanças de ser tornar um padre ao invés de ser advogado. Em Clermont, um padre tinha o ajudado a lutar contra o desespero e a depressão, e esse encontro parece ter plantado as sementes para a vocação do próprio Francisco. Seu pai, enquanto isso, tinha lhe assegurado uma variedade de posições prestigiosas para ele, incluindo como um senador. Um compromisso foi finalmente assegurado, mediado pelo primo de Francisco, o cônego Louis de Sales: François iria aceitar permitir que Francisco se tornasse um padre, em troca que Francisco fosse apontado seria apontado prepósito da catedral-capital de Genebra, uma posição proeminente junto à diocese. Tanto François quanto o bispo de Genebra concordaram, e Francisco foi ordenado no ano seguinte.

Quase que imediatamente, Francisco se lançou para re-converter o povo de sua diocese. Em 1594, aos 26 anos, Francisco e seu primo Louis embarcaram em uma longa missião de conversão dentro e ao redor do distrito calvinista de Chablais, no então norte do Ducado de Saboia. Esse é o modo de como ele descreveu a situação na qual ele entrou:

“Quando nós entramos naqueles bailiados, triste, de fato, tudo apareceu. Vimos sessenta e cinco paróquias, nas quais, exceto os oficiais do duque, não havia, entre tantas milhares de pessoas (ex tot millibus), cem católicos. As igrejas, parcialmente deformadas, parcialmente em ruínas; em nenhum lugar havia o sinal da cruz, em nenhum lugar havia altares; e em todo lugar havia todos os vestígios da antiga e verdadeira fé destruída; em todo lugar haviam ministros – isto é, professores de heresia.”

Alguns padres encaram tarefas desafiadoras após a ordenação, mas isso é um nível bem diferente: Genebra havia sido submetida a uma campanha que durou por uma geração para tentar purgar todos os vestígios do catolicismo: altares e estátuas destruídas, igrejas branqueadas, e a religião católica esmagada de todo o jeito. Em outra carta, ele adicionou que as pessoas eram proibidas, por lei, de ouvi-lo pregar: “a obstinação dessa gente é tão grande que foi proibido por ordenança pública a ir a sermões católicos.”

Como resposta a isso, como eu mencionei, Francisco escreveu os tratados que depois se tornariam A Controvérsia Católica. Mas nos dois primeiros anos, ele não conseguiu ter muito sucesso. As pessoas que ele estava tentando converter não iriam ouvi-lo, muito menos dar-lhe alguma coisa para comer, ou um lugar para dormir. Mackey observa:

“Está autenticamente registrado que ele não podia nem sequer comprar pão, e que em uma ocasião ele e seu primo só se salvaram de morrerem congelados por se abrigarem a noite toda na panificadora da vila. Em 12 de Dezembro de 1594, cercado em uma árvore onde matilhas de lobos que ali ficavam quando nevava, ele teve de se amarrar nos galhos mais altos de uma árvore, e foi encontrado por alguns camponeses na manhã seguinte quase morto.”

Ele amava muito seu povo, mesmo quando eles viravam as costas para ele.

Claro que isso tudo estava pesando para ele. Seu pai se negou a continuar financiando a sua missão, porque lhe parecia uma causa perdida. Eventualmente, exausto e sem dinheiro, até mesmo Louis abandonou a missão. Há registros de que houveram até mesmo tentativas de assassinato contra a vida de Francisco. Em uma carta escrito em 1595 a Antonie Favre, barão de Pérouges, Francisco escreveu:

“A ceifa em Thonon é um fardo que esgota minha força, mais eu estou resolvido não abandoná-la com sua concordância (e) sua ordem. No entanto, eu continuo a preparar, por todo tipo de expedições e trabalhos, novos trabalhadores Eu observo que não há fim para os truques do inimigo do gênero humano. Eu tenho sido atormentado e ainda sou, meu irmão, vendo que entre tais catástrofes que ameaçam nossas cabeças, ali resta para nós apenas um momento para cultivar a devoção da quais nós teríamos uma necessidade sob pressão. É necessário, contudo, contar com a misericórdia de Nosso Senhor, e elevar nossos corações a esperanças maiores.”

Verdadeiramente, este é um testemunho à sua piedade que a maior dificuldade da qual ele reclamava era a falta de tempo para rezar.

Seria fácil para ele ter desistido, mas pela graça de Deus, ele não desistiu. Sua persistência deu frutos. Em alguns anos, estes começaram a germinar. Finalmente, a sua missão foi um sucesso gigante, convertendo quase cada uma das 72 mil almas vivendo em Chablais e retornando-as ao Catolicismo. Mackey descreve deste modo: “no final de quatro anos, todo o país era católico, as paróquias estavam organizadas, as igrejas sendo restauradas e apenas cem calvinistas restaram.”

Esse legado continua até os dias de hoje, na forma de uma presença católica contínua. Por exemplo, a grande Igreja de São Hipólito, reconstruída no século doze, se tornou Calvinista em 1536. Sob a influência de São Francisco de Sales, ela retornou para a Igreja Católica em 1594, e permanece Católica até hoje.

Então, o que contribuiu para o sucesso da missão de S.Francisco em Chablais? Certamente, seu talento natural prestou algum papel, mas eu sugeriria que Deus fez grande uso da sua caridade e de sua persistência.

Ele combinou uma ortodoxia sólida com uma devoção pastoral intensa. Na doutrina, ele não iria mover uma polegada; pastoralmente, não havia nada que ele não faria. De fato, ele criou o ditado de que “uma colher de mel atrai mais moscas que um barril de vinagre”. Ele viveu Mateus 18:12 de uma maneira radical, recorrendo a meios extremos (alguns vezes, até arriscando a vida) para salvar até mesmo algumas almas. Ele é o santo padroeiro da imprensa católica, por causa do jeito que usou a mídia (no seu tempo, tratados impressos e livros) para evangelizar quando todas as portas estavam fechadas, e para providenciar direção espiritual. Ele também é o santo padroeiro dos surdos, por uma razão ainda mais radical: para ensinar um homem surdo sobre Deus, S. Francisco inventou uma forma de língua de sinais.

Depois de se tornar bispo de Genebra, ele visitou cada uma das 450 paróquias de sua diocese, cinco abadias, seis prioras conventuais, quatro mosteiros cartuxos, e cinco conventos. Até mesmo quem discordava de sua teologia não podia duvidar de seu amor pelo povo de Deus. Justamente ele é chamado “o Santo Cavalheiro“, e nomeado o Doutor da Caridade.

Conclusão

Talvez eu esteja um pouco enviesado pelo meu amor por S.Francisco de Sales. Afinal, há poucos padres diocesanos barbudos que tem conhecimento em Direito e um amor pela apologética, teologia, e pelo povo de Deus, e ainda menos (na verdade, exatamente um só) que também são Doutores da Igreja. Mas não posso me conter para não ver Francisco como modelo tanto para os padres quanto para todos aqueles envolvidos em evangelização. Apesar de que ele tinha um pavio curto, como ele mesmo admitiu, ele nunca deixou isso interferir no seu serviço para a salvação de seu próximo. Que nós possamos, como Francisco, inflexivelmente ortodoxos, mas rápidos sem hesitação para servir as necessidades de nossos irmãos e irmãs.

Título original : “The Evangelical and Pastoral Heart of St. Francis de Sales”.

Autor : Joe Heschmeyer

Tradutor : Simão Bezerra

  • O Tradutor Católico
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Para acabar com esse mal terrível citado na carta (disponível aqui: https://bit.ly/2NpiCI7), devemos ter uma vida séria de oração diária, devoção ao santo rosário, fazer jejum, penitência, se confessar com frequência, ir a missa todos os dias se possível, fazer ação de graças após receber a eucaristia, fazer obras de caridade, rezar pedindo novas e santas vocações sacerdotais, sermos fiéis ao verdadeiro Magistério da Igreja… Enfim, queremos que esses escândalos acabem? Sejamos santos. Amemos a Jesus. A culpa também é nossa, pois isso é um castigo que todos nós merecemos por conta da nossa falta de fé e santidade.